quinta-feira, 19 de novembro de 2015

Negra

Preta é minha pele 
E tenho tanto orgulho 
O sofrimento é grande
Sou Mulher, preta e pobre 
A cor da minha pele rege a minha vida
Ralar mais, estudar mais, ser mais 
Exigências de um lugar ao sol 
Que escurece também ao pôr do sol 
Olhares de desprezo (quantos)
Ditos de chacota (quantos)
Ao sinal de fraqueza humana
"Não aguenta, coitada, é preta 
É preguiçosa da canela fina
Seu cabelo desgrenhado 
É motivo de chacota 
Para que serve se é ruim e armado?"
Piadas a vida inteira 
E a doce e nojenta mentira 
Como se consolo fosse
"Você não é negra, é morena"
Quantas professoras, engenheiras
E médicas negras você conhece?
Poucas, não é?
A cota da universidade 
Dizem que discrimina o negro
Mas não contam os séculos 
Que estamos à margem
Somos muitos e somos menos 
A dor de tantos não amolece o coração de muitos 
Por que ter dó se não servem pra nada?
Tudo ladrão viciado
De péssimos hábitos 
E logo mostram porque valemos tão pouco 
Pra que casa, carro, luxo?
Dizem que não preciso de tanto 
Um teto e uma TV 
É tudo que preciso, dizem 
Triste mundo onde morremos como moscas
Porque não valemos nada
Negra????
Vai ganhar as ruas, ouvi 
Seria o ápice de minha vida
Sou tinhosa, ninguém limita o que posso 
Ninguém sabe a minha força
Ninguém sabe como luto
Para poder escrever aqui 
E deixar a mensagem que quero 
Sou negra  sim 
E cada célula do meu corpo 
Vale mais do que você
Que lê isso e pensa "bobagem"
Embora não conheça minhas cicatrizes
E por tudo que passei e passarei
Para garantir meus plenos direitos
Vista minha pele por  um dia
Note a diferença e chore...
ROSÂNGELA FERREIRA LUZ  19/11/2015 




domingo, 15 de novembro de 2015

Insana

Quero meu riso frouxo 
Sem me preocupar se reparam ou não 
Quero a risada escancarada 
De quem não se importa com o que pensem ou façam ou falem 
Quero abraçar, beijar sem falsa moralidade ou hipocrisia 
Beijo francês no meio da rua 
Com um estranho qualquer 
Comemorando a alegria de ser livre e poder 
Faço o que quero e não estou nem aí 
Faço o que quero quando posso 
Faço o que quero sem limites 
Faço o que quero quando quero 
Me embriago e me diverto
E se quiser, eu brigo
Eu choro 
Eu xingo 
Eu amo 
A qualquer hora, em qualquer lugar 
Saio de casa sem fechar a porta 
Grito e me rasgo em mil pedaços 
Deito e durmo  em minha horta 
Ando nua  na chuva 
Te pego de jeito na rua 
Pois meu nome rima com liberdade 
E faço o que tenho vontade 
Sou depravada
E sou santa 
E a loucura é minha companheira
Dá cor e vida aos meus dias 
Somando as minhas alegrias 
A meu bel prazer 
Torno -me cinzas, renasço fênix 
E isso, meu caro, ninguém me tira!
ROSÂNGELA FERREIRA LUZ  18/11/2015 



Fuga

Meu olhar esvaziado, 
Esgotado das andanças,
Desbotado desvairado
Perdido nas lembranças 
Cada ruga cada  linha  
Marcas das vivências 
Cada risco e rabisco 
Uma história a contar 
Cada dor, cada sorriso
Espalhado  em meu rosto
Combalido  enfraquecido 
Tão cansado, tão cansado 
Tão cansado de chorar
Tão  cansado de viver
Tão cansado de sofrer 
E eu, eis me aqui 
Forte e fraca 
Sem lugar sem espaço 
Esperando a vida se cumprir 
Forte por continuar a viver 
Fraca por continuar a viver 
Sem eira  nem beira 
Atrás da luz amarela 
Atrás dos risos de outrora 
Atrás das festas singelas 
Que não visitarei mais 
Não terei mais 
Será que o quê  de bom vivemos 
Ao recordar melhor será?
Acentua -se a alegria e a tristeza?
As dores e amores?
Estou cansada de festas 
Estou cansada de velórios
Quero, enfim, chegar ao fim...
ROSÂNGELA FERREIRA LUZ  16/11/2015 



 



 

Brejeira

Ei, você, tão brejeira,
Do olhar instigante e carinha maneira 
Por que me olha tão faceira?
Querendo brincar???
Minha mãe falou para voltar logo 
Se você quer brincar 
Tem que ser logo 
Para aproveitar o tempo 
Porque logo, logo ela me chama 
Para tomar banho ou jantar 
Não sei, mas eu quero brincar 
Do que será? Mãe da rua? 
Pula minha sela?
Ou jogar conversa fora?
Vamos brincar de explorador?
A gente anda em volta dos prédios 
Revirando jardim atrás de bicho 
Também vamos catar flor 
Antes que fique muito escuro 
Antes que a mãe chame
E acaba com a brincadeira 


Imersa

Uma pausa, por favor 
Preciso respirar, aprimorar a minha dor 
Por isso vim aqui 
Quanto tempo faz? Quanto tempo falta?
Pensar em todos não alivia nem aumenta os sentimentos 
A saudade me faz rir, me faz temer 
E também me faz chorar 
Por não poder reviver os melhores momentos quando quero 
Aonde foram todos?
E por que só eu estou aqui?
Minha alma é controversa 
Quer reviver até o que não presta 
Quer rever até o que melhor fica perdido
Na memória  
Um café expresso, por favor 
Daqueles bem forte 
Pra acordar e sair dessa inércia 
Atropelar as atividades 
Fugir dos pensamentos
Evitar e cortar os excedentes 
Ficar na zona de conforto 
Viver na superficialidade 
Fingir serenidade
recolher os dejetos, limpar toda a casa 
Mais um café, por favor 
Vamos contar como chegamos até aqui 
Tudo que se foi 
Tudo que virá 
Os que não veremos mais 
Os que estão por vir 
Vamos rir do que já passou 
E esquecer o que faz chorar 
Vamos ver se sabemos
Onde  todos estão, onde todos estarão 
Vamos fingir que não tememos o que há de vir 
Vamos fingir que somos sortudos 
Por ainda estarmos aqui 
Vamos fingir satisfação e realização 
Perfeição, pois tudo é como queremos 
Mais um café, por favor 
Estamos nervosos 
É hora de se despedir 
Tantas mentiras foram ditas 
E outras malditas 
Tantas suprimidas 
Mais uma pausa, por favor 
ROSÂNGELA FERREIRA LUZ  15/11/2015 

sábado, 14 de novembro de 2015

Mariana, minha flor

Quando os sabores se confundiram e não me senti mais eu 
Quando senti o pulso de outro pulsar em mim 
Quando os pássaros revoaram em torno do céu 
Anunciando que seu caminho se abria dentro de mim 
Tudo mudou 
Todo o mal se apagou e todas as lágrimas perderam sua razão de ser 
Agora só importava você 
Quando vi seu rosto a primeira vez 
Quando a alimentei, a banhei
Tudo mudou em mim 
Seu primeiro espirro, seu primeiro passo 
Seus olhos dançando nos meus 
Seus sorrisos iluminando meu mundo 
Meu mundo virado em você 
Uma nova canção tocou 
Uma nova estrela nasceu
Uma lágrima escorreu 
E eu conheci a paz 

No meio de tanta cinza

No meio de tanta cinza, ver brotar a vida que,
Mesmo diante de ti, já morta, causa ainda
Uma urgência, uma aflição sem nome
Que sem preâmbulos digo
Que nada mais importa,
Só o que encontra hoje
Para lapidar a alma infecta
Que habita no ser
Que observa e que admira
Este frágil desabrochar
Mesmo sabendo que
Não encontrará eco dentro de si,
Diante de si, no fundo de si
Olhos mortos cansados de ver,
Olhos mortos cansados de sentir,
A vida a pulsar agigantar-se diante de si
E não dentro de si
Ver o cinza onde não há mais cores,
Onde não há mais vida,
Só existe a esperança diante de si
Em suas mãos já secas, mortas,
Mas que ainda servem para conter a vida
Que urgente quer desabrochar e
Esta força vital umedece seus olhos
Já mortos para e pela vida  e
Aflita em avisar que tanta energia
Rapidamente será sugada, destruída e será à toa,
Que logo estará  morta no meio de tanta cinza,
Achando que até aqui tudo valeu
Como o mundo quer que acreditemos
Pensando que não descobriremos
Como tudo é tão fugaz,
Veloz como um flash
Rumo a um abismo que não tem fim

ROSÂNGELA FERREIRA LUZ 14/11/2015.


Vou sair por aí...

Estou de saco cheio,
Vou sair por aí, encher a cara, rastejar no chão,
Viver uma catarse para me livrar de você que está em mim
 E daí? Dará certo???
Sei que não será por aí,
Não custa tentar alterar o que aqui está
E mudar o que já encheu,
Abrir novas portas, cair em outras realidades,
Viver novas vidas, ser outra pessoa
 Pintar a cara de novo, roupa estalando de nova
Sorrir à estranhos, jogar conversa fora
Sentar no bar, pedir algo forte para empurrar goela abaixo
 A história que hoje contarei, quem sou, quem fui, quem serei
Em um dado momento percebo que o clímax passou
Olho para cima, seguro as lágrimas e finjo ver tudo pela primeira vez,
 A pintura escorreu, o sorriso murchou,
 A novidade passou, o bar fechou,
 Todos se foram, só eu teimo em ficar por aqui...
Caindo pela rua, sozinha mais uma vez
Encerrando a noite para amanhã fazer tudo mais uma vez.
ROSÂNGELA FERREIRA LUZ 14/11/2015

Maria Cecília 8º B 2026

 Agradeço com muito carinho o presente entregue pela aluna me parabenizando pelo oito de março , o Dia das Mulheres !👊🏾