segunda-feira, 6 de outubro de 2008

Uma historinha para desanuviar o ambiente!!

Cuidado com ás aparências, elas enganam!!!!
João Francisco de Chagas Neto
Havia uma tradição em quase todas as cidades do interior do Nordeste de malhar o Judas no sábado de Aleluia, além dos serra-velhos. O serra-velhos se caracterizava por uma turma de pessoas afoitos á moloqueiragem, que se reuniam previamente para acertar quem na noite de sexta-feira da Paixão seria a vítima, geralmente pessoas na terceira idade, daquela brincadeira, para uns de mau gosto, que deixava a vítima puto da vida. Pois, os maloqueiros travavam portas e janelas pelo lado de fora e deixavam a vítima preso dentro de casa. Quando estavam cientes e seguros que de dentro de casa não vinha nem um tiro de soca-tempero, aí começava o inventário da vítima, seguido de cantos de sentinela. . E era mais ou menos assim: Um dos maloqueiros entoava: Para quem esse Pão-duro vai deixar aquele carro-de-bois.??? Os outros respondiam em coro: para uma pessoa, a qual a vitima não gostasse. E para quem vai deixar aquela filha bonita?? ...... Para fulano de tal!!.. E isso acompanhado de toques imitando um sino de igreja e muito choro, como se a pessoa tivesse morrido. E iam até ás primeiras horas do sábado. E dependendo do estado de espírito da vítima, depois dessa balbúrdia toda, a vitima convidava esses maloqueiros para entrar, tomar uns gorós e ás vezes matava uma galinha para servi-los, pois já era Sábado de Aleluia.O malha-judas também havia um ritual, que era roubar o Judas na sexta-feira da paixão, de quem confeccionou, para o outro ficar na saudade no sábado da aleluia.E nisso, as pessoas daquela época encontravam algo mais o que fazer, além de rezar, no período da semana santa. Seu João Soares, casado com Dona Dneusa, pai de Chico, Fernando, Selma, Sérgio, Fábio e Simone, nessa época, final da década de 40, morava em Olho D’Água das Flores,num casa ao qual havia um quintal grande, cheio de cajueiros e outras fruteiras. E costumava, na sexta-feira santa, fazer um Judas para malhá-lo no sábado de Aleluia. Confeccionava e deixava pendurado num dos pés de cajueiros do seu quintal. Mas qual a frustração ao constatar no outro dia que o Judas havia sumido. Roubaram o Judas por dois anos seguidos. No terceiro..., ele prometeu: “Esse Judas não vão me roubar, não”! Após confeccionar o boneco, foi pendurá-lo mais cedo que o de costume num dos cajueiros. E ficou na espreita, escondido, até anoitecer. Quando escureceu, ele pegou o Judas que estava pendurado num galho baixo do cajueiro, levou-o para dentro de casa, vestiu o paletó e chapéu do Judas e, depois dessa troca de vestimentas, voltou para o mesmo local no cajueiro, como se fosse o Judas. Lá pras 22hs horas, aparece o ladrão de Judas. Pula o muro e na ponta de pés, olhando para porta da cozinha para vê se não aparecia ninguém, vem se aproximando, abaixadinho..,sempre olhando para a porta, mais sorrateiro que um gato.A adrenalina a mais de mil. E vai se aproximando, e finalmente abraça o Juda para tirá-lo do cajueiro. Nesse ato, o Juda também abraça o ladrão que começa a gritar e termina desmaiando, do susto que levou, nos braços de Seu João Soares.
História relatada por Miguel Chagas nesse domingo passado, dia 20/11/2005, em Santana do Ipanema

Nas letras da música

Nas letras das músicas *º ano A e B 2017 de Rosângela Ferreira Luz